Diante da atual
crise política não consigo mais conter minha indignação,
talvez mais que minha indignação; talvez a vergonha desta
farsa que é a política brasileira e que ousamos chamar,
irônica e sarcasticamente de democracia. E ousamos mais, dizemos
que vivemos num Estado Democrático de Direito. Não fosse
a o Senado para nos lembrar disso o que seria de nós? Surge
para nos orgulhar, ainda mais o escândalo da fé. Talvez
aqui valha lembrar a frase de Jesus dita nos evangelhos: “É impossível
que não haja escândalos, mas ai daquele por quem eles
vêm! Melhor lhe seria que se lhe atasse em volta do pescoço
uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que levar
para o mal a um só destes pequeninos. Tomai cuidado de vós
mesmos. Se teu irmão pecar, repreende-o; se se arrepender, perdoa-lhe.” (Lc
17, 1-3). Em nossos dias são poucos, porém, os arrependidos!
Interessa-nos neste momento o fato de que o Senado brasileiro está desmoralizado,
a opinião publica é mera opinião e de púbica
não tem nada, antes é uma clara opinião privada que
muda de acordo com os interesses das diversas emissoras de TV, jornais,
rádios, entre outros. Que se poderá dizer das diversas câmaras
de deputados e de vereadores? Ou mesmo dos nossos governantes? Ou ainda
do poder judiciário? Não irei me assustar se amanhã estiver
estampado na capa de todos os grandes jornais que a honestidade virou crime.
Sarney não é o culpado de tudo isso, ele apenas representa
um sistema que está todo putrefato e corroído pela legitimação,
ilegítima da corrupção aprovada em ato secreto. Sarney é só a
marolinha do grande tsunami da sujeira e do interesse das forças
ocultas que estão no subsolo do Estado Brasileiro.
Enquanto isso, a revista Veja (ed. 2125 – ano 42 – nº 32 – 12
de agosto de 2009) tem como uma de suas matérias “a decepção
dos ex-caras-pintadas com os rumos da política”. Você pode
então se perguntar tem que ver o quê essa matéria com
o nosso tema: tudo e nada. “Tudo” porque mostra que houve um
tempo que se acreditava na possibilidade de um país melhor, que
se lutava por isso, saia-se às ruas para exigir mudanças... “Nada” porque é justamente
isso que os “ex” estão fazendo. Onde estão os
caras-pintadas de ontem? Estão em seus empregos ou desempregados,
em seus carros ou carroças, em suas casas ou casebres, estão
deixando de sair às ruas. Sairiam às ruas novamente? Talvez
nem saibam mais pelo que lutaram e pelo que lutar. E os novos caras-pintadas,
onde estão? Esses somos nós, mais interessados em nos mesmos.
Esses somos nós aqui escrevendo um artigo que revela indignação
e sofrimento, vergonha e frustração. Esses somos eu e você aqui
sentados sem fazer nada, porque talvez nem sequer saibamos que um dia alguém
pintou os rostos de verde e amarelo para mudar o país e não
para ver uma partida de futebol e sentir-se o maior patriota de todos os
tempos. Esses somos nós.... E, assim, “para o triunfo do mal
basta que os bons façam nada” (Edmund Husserl).
* Licenciado em Filosofia pela PUCRS com habilitação em História
e Sociologia. Atualmente é graduando do curso de BachareladoTeologia
pela UNISAL – Campus Pio XI em São Paulo. BLOG: http://www.blogdobelotto.blogspot.com
Por Dirceu Fernando Belotto
Professor de Filosofia com habilitação em história
e sociologia
BLOG: http://avozdafilosofia.blogspot.com
São Paulo - SP
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